
OHNomad (Owen Shuang) – Foto: Divulgação
A coluna Lançamentos é uma seção na qual a curadoria da equipe selecionará através de critérios técnicos/artísticos diversas bandas e artistas que se destacaram com suas músicas, contemplando uma variedade de gêneros para todos os gostos. Vale ressaltar que algumas canções foram lançadas anteriormente, mas a análise foi feita este ano. Todas as faixas farão parte da nossa Playlist do Spotify. Confira agora as recomendações de junho!
OHNomad (Owen Shuang) – “The Awakening”: Segundo o próprio artista, esta peça para piano solo emerge como o primeiro movimento de uma futura suíte de oito partes. A obra bebe sutilmente na fonte estrutural de Quadros de uma Exposição, de Mussorgsky — uma influência que se revela nas cores latentes de cada tom. Estes tons sustentam uma harmonia concisa e uma melodia longilínea que, ao realizar a união orgânica, conduzem o ouvinte a uma verdadeira transcendência sonora. Uma criação brilhante!
Smalltown Poets – “A Little of Your Time”: Esta canção de pop/indie rock, lapidada por uma produção fenomenal, é certeira ao mirar uma sonoridade radiofônica, onde cada elemento se encaixa com maestria em uma estrutura de simplicidade coerente. A beleza do timbre vocal abraça a leveza das linhas de guitarra, enquanto o baixo e a bateria sustentam uma vibe envolvente, que hipnotiza do início ao fim. Um dos destaques desta edição!
Grid Theory – “The Beauty of Decay”: O prog metal com nuances de metalcore em ritmo cadenciado, timbres modernos e arranjos simples, porém eficientes, é a diretriz para uma canção bem feita, pensada e que, mesmo não fugindo do esperado no gênero, ainda assim o faz de maneira coesa e agradável.
Hanna Kekäläinen: O inegável talento da artista finlandesa é determinante em duas belíssimas peças de piano banhadas por influências da música contemporânea. Em “Tower Moment”, vislumbra-se uma verdadeira trilha cinematográfica que conduz o ouvinte por uma jornada sonora memorável, tecendo sutilezas que aveludam a alma — uma poesia esculpida em forma de notas. Já “Dance To Your Own Rhythm” pulsa em transições admiráveis, onde os pedais, selecionados com preciosismo, sustentam melodias que transmitem uma imensidão de mensagens, evocadas por uma genuína atmosfera introspectiva. Mais um ápice grandioso desta edição!
Lamont Jackson – “Levitate (Remix 2025)”: Trazendo um ritmo magnético e enérgico, a canção ergue-se como uma ode ao R&B/Soul, fundida às melhores minúcias do funk, hip-hop e pop. A linha vocal manifesta-se de forma fenomenal, lapidada por uma produção impecável que deságua em uma melodia feita para ser cantada em uníssono, já que se torna impossível permanecer estático diante de tamanho petardo sonoro. Uma recomendação indispensável!
Janiq – “Cobra”: A fórmula do pop é lapidada com sucesso nesta canção de batidas pulsantes; mesmo longe das telas, o ouvinte é capaz de visualizar uma coreografia magnética, desenhada pela energia transbordante da artista. A linha vocal, executada com precisão cirúrgica, sela o caráter impecável de uma produção profissional. Trata-se de uma arquitetura sonora tão competente que, de forma inevitável, arrebatará os corações dos devotos do gênero.
Little King – “Dawn Villa”: Interessante faixa com mudanças contínuas de arranjos durante a progressão, em seu punk/metal dentro de uma sonoridade do final dos anos 80, apresentando excelentes harmonias e uma linha vocal que abraça toda a crueza e punch que define a identidade do projeto. Para quem curte algo mais experimental e que é necessário ouvir com atenção!
Denis Sanches & Nilo Carvalho – “Estórias Mortas de um Coveiro Vivo”: O rock nacional flertando com o blues americano em linhas harmônicas e melódicas dentro do esperado, mas feito com esmero e alta qualidade, só pode ter um resultado muito bom. A surpresa ficou com as letras cantadas em português que combinaram com as texturas apresentadas; vale a pena dar uma conferida!
Le Coc: Em “Slowly Turning Off”, ecoa um som que resgata o peso do heavy rock e a essência da NWOBHM, revelando rara criatividade em linhas de guitarra transbordantes de potência. Em contrapartida, “The Art of Read Dreams” floresce como um belo hard rock adornado por sutis texturas eletrônicas; uma obra de apelo comercial e fácil digestão, onde a guitarra reassume o protagonismo em um solo soberbo. Para encerrar com chave de ouro, “Known Secret” surge como uma balada pesada de introdução arrebatadora, que desta vez reverencia o baixo em sua frase inspirada, enquanto a bateria conduz a cozinha com maestria, coroando a faixa com a estrutura mais refinada do trio.
Zebulyn Adger – “Patch It Up”: A suavidade deste soft rock, banhada por nuances de reggae e imersa em uma atmosfera introspectiva, compõe a receita que conduz o ouvinte a uma experiência sublime. Sua produção orgânica evoca o frescor de uma apresentação ao vivo — um elogio definitivo à alma e à verdade que transbordam da faixa.
Christmas the Band – “Turn It Around”: Trilhando as vertentes do prog e do classic rock com uma pegada setentista, a faixa desabrocha em arranjos de teclado Hammond e nuances virtuosas. Na vanguarda, uma linha vocal sólida, amparada por coros impecáveis, flutua sobre uma guitarra que tece toda a base harmônica da composição, culminando em um resultado satisfatório.
Juan Gutii – “Path For The Righteous”: Entrelaçado por diversas influências (como rock, música latina e espanhola), a faixa instrumental é um verdadeiro deleite para os ouvidos com seu belo tema de violão e solos com muito bom gosto, além de um baixo que não passou despercebido em sua linha inspirada.
Shyfrin Alliance – “Buddha Blues”: O título é curiosamente uma boa descrição do gênero, que segue o caminho do blues rock e influência de música latina em um alicerce suave, ainda que dançante. Os arranjos de piano/teclado, somado aos de gaita, realmente chamam a atenção, enquanto que a guitarra é responsável por juntar tudo em uma base eficiente (e um solo bem legal).
Niel Lian – “Resilience in a World on Fire”: O compositor e pianista italiano nos presenteia com esse EP instrumental que mescla a world music com toques clássicos; o clima é construído como uma miríade de plantas ao longo da peça, mantendo emoção, sensibilidade e notas saborosas.
Bernard Côté – “Du sud vers l’ouest”: Uma sonoridade que exalta sua essência folk rock, sob uma produção impecável onde o protagonismo se dissolve na perfeição: tanto a voz quanto os instrumentos exibem um refinamento ímpar. A guitarra, inclusive, evoca o gênio de Mark Knopfler, do Dire Straits, pela forma fluida com que suas frases e compassos são conduzidos, envolvendo o ouvinte em uma absorção natural e harmoniosa.
Simplify – “I Know Why”: O art rock pulsa intensamente nesta canção, desafiando expectativas por meio de um ritmo cadenciado e de uma atmosfera melancólica. Ao mesmo tempo, sua faceta experimental revela, sem rodeios, a essência de sua proposta. Harmonicamente virtuosa e complexa a ponto de exigir atenção na primeira audição, a obra traz guitarra e baixo em bases curiosamente simples. É a bateria que, meticulosamente, ergue toda a arquitetura sonora, enquanto o vocal, com sua crueza e sutil herança grunge (à la Stone Temple Pilots), caminha preciso rumo ao seu objetivo.
Red Skies Dawning – “Obvious”: O metalcore flerta com alternativo para gerar uma intensidade melódica e com intensidade feita para ser tocada ao vivo em shows; ainda que mantenha certo padrão e influência forte de Sleep Token, é tudo feito com esmero com tonalidade reflexiva.
Geração de Anjos – “Seja Luz e Amor”: A música gospel aqui eleva as fronteiras da fé e da espiritualidade contidas em seus versos; revela, com clareza cristalina, uma virtude artística que desabrocha em sua estrutura harmônica. A obra caminha entre o pop e a world music com um brilho singular, despertando no ouvinte uma profunda sensação catártica — uma experiência avassaladora, ainda que seja moldada em certos detalhes por inteligência artificial.

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