
Eylsia – Foto: Divulgação/ Reprodução Facebook Oficial
A coluna Lançamentos é uma nova área dentro do site, na qual a curadoria da equipe selecionará através de critérios técnicos e artísticos diversas bandas e artistas que se destacaram com suas músicas, contemplando uma variedade de gêneros para todos os gostos. Vale ressaltar que algumas canções foram lançadas anteriormente, mas a análise foi feita este ano. Todas as faixas farão parte da nossa Playlist do Spotify (veja a de 2025 aqui, a de 2024 aqui). Confira agora as recomendações da terceira parte de outubro!
Eylsia: A balada country tradicional de “He Gave Me You” possui um dueto vocal que se conecta de maneira belíssima, mantendo tal sinergia do início ao fim, trabalhando em melodias simples e de fácil assimilação. Em “On the Wings of Angels” há uma aproximação do lado mais espiritualmente romântico da artista, arranjos muito bem inseridos em harmonias que se mostram familiares para fãs do gênero. Já “Thank You, Jesus” reforça a pegada gospel, seja diretamente pelo título, pelas letras e até mesmo pela essência das texturas (ainda que seja dito pela autora que não é uma canção de louvor) de cada nota, tudo executado de modo primoroso, em especial pelos dois cantores. “Forever Can Wait” segue um caminho mais pop/R&B e é muito bem sucedido em entregar uma canção de qualidade em todos os aspectos, seja na parte vocal que é de deixar qualquer um boquiaberto (mesmo com algum uso de IA e bastante efeito), seja na parte instrumental que é efetiva na proposta. A história pessoal contada em “The Storm” ganha um impacto maior com a sonoridade de um verdadeiro musical, interpretação de ambas as vozes com qualidade indiscutível, ambientação interessante e que leva o ouvinte à uma jornada de auto-reflexão. A vibe world music vem com “How Many Times 2”, que remete a desenhos da Disney, definitivamente seguindo padrões da indústira, ao mesmo tempo que dando aula de performance. Claro que não poderia faltar um estilo mais comercial, como em “A Beautiful Mess”, tendo um toque de dance music e eletrônica, além de uma entonação impressionante da cantora, que alcança notas no limite com bastante técnica, demonstrando a versatilidade da mesma. Grande destaque desta edição!
Terje Gravdal – The Dreamer: Nos primeiros segundos desta magnífica canção que brinda o lado folk do artista, há acordes bem colocados, belos arranjos de gaita como tema principal e backing vocals que agregam bastante, em uma harmonia que lembra a trilha sonora de um filme cheio de alegrias e boas sensações; outro destaque desta edição!
Tomás Cotik – Paganini: Sonata a Preghiera, Op. 24, MS 23, Moses Fantasy: O violinista explora as nuances da virtuosidade e a profundidade expressiva de Paganini nesta compilação de trabalhos de música clássica que resulta em um jóia que massageia os ouvidos, tanto no desempenho espetacular do artista, quanto na sutileza no encaixe de notas em cada seção; mais um destaque desta edição!
Shea Coleman Turner – When Shadows Fall: O rock alternativo se encontra com o progressivo nesta canção bem trabalhada que entrega suavidade em sua atmosfera vibrante, sintetizador de teclado que traz o pano de fundo necessário, enquanto a guitarra esbanja dois solos bem legais, ao mesmo tempo que a bateria se delicia com viradas que denotam psicodelia.
Fabio Bernardi – Hand in Hand: O tecladista italiano nos apresenta este AOR com uma ambientação melodicamente marcante, de cunho introspectivo e ‘dobradinhas’ de guitarras com aquele brilho característico do power metal, mantendo um ritmo cadenciado e coeso.
Grumbeaux – Flyin Shoes (Versão de 2025): A psicodelia experimental está em alta na identidade do artista que, sem medo de ousar em suas constantes mudanças sonoras, timbres totalmente fora da caixinha, sendo até (ainda bem) difícil de absorver em sua totalidade na primeira audição; vale ressaltar a introdução de xylophone e ótimos arranjos de sintetizador de teclado.
Alê Balbo: A composição instrumental “O Silêncio da Floresta” cultiva um som ambiental da natureza, influências tribais e tendo a percussão como protagonista, em uma estrutura rítmica decente, tudo bastante orgânico. Já “Segredos”, como o próprio nome diz, possui um ar misterioso em mudanças de timbre de uma seção para a outra, se mantendo constante nas cores sonoras dos tambores e de sua invenção, o ‘steel box’, pano de fundo para a experiência que entrega ao ouvinte. “O Confronto” gera o clima para sua narrativa através de sons extras, dinâmicas similares que, ainda assim, abraçam o movimento dos compassos e sensações distintas ao longo da duração.
Zircon Skyeband: Em “Lovers Who Wander”, a banda nos leva para uma viagem de volta aos anos 50/60 com sua sonoridade pop beat e rockabilly de muito bom gosto, arranjos de qualidade que dão ênfase ao saxofone e uma seção rítmica de dar inveja a qualquer artista daquela época, enquanto a guitarra serve como o alicerce. “I’m Into Something Good” mantém uma vibe parecida, só que mais conectada ao classic rock e pop beat, diversas melodias ao longo de sua duração que transformam o esqueleto da canção em algo especial, além de ótimos backing vocals. A balada country emerge em “In Love With the Fall” que pela naturalidade em que as vozes foram gravadas, parece uma apresentação ao vivo, inclusive tendo a ilustre presença de um acordeão, tudo soando como um bom sucesso de outrora (na intenção) deveria soar. As influências de R&B/soul ficam claras em “Mountain of Love” com sua inspirada guitarra limpa, diversos coros bem projetados e arranjos harmônicos que levam o ouvinte a uma jornada cativante; outro grande destaque desta edição!
Raubtier Kollektiv: O projeto apresenta algo realmente diferente, que é um hip hop mesclado com rap/eletrônica, só que cantado em alemão, que por incrível que pareça funciona bem em canções como “Tiger Streifen”: direta ao ponto, incisiva, um manifesto com letras fortes e que geram reflexão com uma base harmônica simples e eficiente. “Krokodil Tränen” em sua introdução e ritmo lembra um pouco a sonoridade de músicas do Eminem, mas que ao longo da progressão se torna algo com identidade própria, cantada com intensidade. “Mach Dich gerade” segue outro caminho, mais ligada ao pop industrial e batida hip hop, próxima ao mercado radiofônico, ritmo dançante, enérgica. “Liebe und Angst” anda de mãos dadas com o trap moderno, mais melódica e dentre todas, a mais orgânica, sem exagerar em momento algo, sendo bem coesa e deve funcionar muito bem em show ao vivo. “Gönn Dir” poderia facilmente ser um DJ remix de alguma canção já existente, contudo é uma canção original com atmosfera eletrizante, moldando uma estética oriental nos backing vocals e timbres decentes de modo geral.

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