Texto: Rodolfo Bragantini

Foto: Dantas Jr
A abertura do evento ficou por conta do Jayler, banda britânica formada em 2022 por integrantes na faixa dos 20 anos. James Bartholomew (voz e guitarra), Tyler Arrowsmith (guitarra), Ricky Hodgkiss (baixo) e Ed Evans (bateria) entraram no palco às 19h15. Eles ainda não têm um álbum oficial lançado, apenas um EP e alguns singles, ainda assim impressionaram no show ao mostrar maturidade sonora. Ótimas canções e uma energia que agradou o público por cerca de meia hora. Nota-se uma forte influência de Led Zeppelin, em especial na estética, mas é uma banda com personalidade e pronta para brilhar.
Já a segunda apresentação da noite, Dirty Honey (formada em 2017 na cidade de Los Angeles, Estados Unidos), é composta pelo vocalista Marc LaBelle, o guitarrista John Notto, o baixista Justin Smolian e o baterista Jaydon Bean. Com a largada dada por “Won’t Take Me Alive”, os riffs certeiros de Notto e o astral lá no alto, o rock clássico animou os presentes. Destilando ótimos riffs de guitarra e cozinha segura, em “Heartbreaker” o vocalista pediu para todos cantarem mais alto do que em São Paulo. Durante a música “Don’t Put Out the Fire”, Marc pega uma cadeira, pula a grade e vai cantar no meio da galera. A banda encerra com “When I’m Gone”, sua música mais conhecida, que está na trilha do filme Minecraft.
A cereja do bolo, a lenda do Rock’n’roll Hall of Fame, Lynyrd Skynyrd, finalmente entra em ação. Logo após a música “Panama” do Van Halen, inicia o vídeo contando sua origem e trajetória, enquanto os músicos entram no palco para o delírio do público. Esse foi o debut da banda em solo carioca, cidade esta que tem uma legião de fãs que lotaram o Qualistage em pleno domingo de Páscoa.
Muitos os consideram uma banda tributo, pois hoje em dia não há mais nenhum dos membros originais. Quem declarou isso em entrevista foi o próprio vocalista Johnny Van Zant, que cumpre a missão desde 1987 de substituir o seu irmão, o saudoso Ronnie Van Zant. Segundo ele, o falecido guitarrista da formação clássica, Gary Rossington, o pediu para manter o legado. Além do frontman, a banda hoje tem como integrantes: Rickey Medlocke (Guitarra), Damon Johnson (Guitarra), Mark Matejka (Guitarra), Peter Keys (teclado), Robbie Harrington (baixo), Michael Cartellone (bateria), Carol Chase e Stacy Michelle (backing vocals). Todos são músicos veteranos e competentes.
O Skynyrd inicia seus trabalhos com “Workin’ for MCA”, riff certeiro tocado pelas guitarras de Medlocke e Johnson, que cumpre com louvor a missão de substituir o “boss” Gary Rossington. Em seguida, as também clássicas “What’s Your Name” e “That Smell”, cantadas a todo vapor em uníssono. Antes de iniciar “I Need You”, Johnny dedicou a música à todas as mulheres presentes e, na sequência, mais três clássicos, “Gimme Back My Bullets”, “Saturday Night Special” e “Down South Jukin’”, quando o quarteto de cordas faz a formação no centro do palco.
A bela balada “Tuesday’s Gone” foi dedicada a Gary Rossington, com o telão mostrando vários momentos com a banda e família. O solo de piano é executado magistralmente por Keys, em seu piano de cauda cenográfico, decorado com pinstripes tribais. O hino máximo “Simple Man” executado logo a seguir, mostrou a bandeira do Brasil no telão, arrancando aplausos calorosos e foi amplamente cantada por todos os sortudos (por estarem ali) com seus celulares acesos em punho.
Subindo o clima, vem as canções finais, “Gimme Three Steps”, “Call Me the Breeze”, cover de J.J. Cale e, após um pequeno trecho de “Red, White & Blue”, Mark “Sparky” Matejka puxa o riff clássico de “Sweet Home Alabama” momento este que a plateia vibra como se fosse um gol de Copa do Mundo. Johnny e a banda agradecem e deixam o palco, mas ainda faltava uma última canção. Durante cerca de cinco minutos o público gritou “Freebird” e no telão em preto e branco surge Ronnie Van Zant discursando sobre liberdade, dando a deixa para Keys sentar ao piano e iniciar a introdução de um dos maiores hits da história do Skynyrd. O vídeo mostrou imagens lindíssimas dos integrantes que já deixaram o plano terreno e seus nomes, com velas acesas em cada um deles. Ronnie, Steve, Cassie, Allen, Leon, Billy, Ed, Bob, Larry, Ean, Jojo, Gary, Leslie, Stevie, Tammy, Michelle e Steve V; todos que fizeram parte da discografia e carreira da banda.

Foto: Dantas Jr
Um dos pontos altos (e mais emocionantes) com certeza rolou quando Johnny coloca, na frente do palco, o pedestal de microfone e o chapéu que representa seu irmão Ronnie que, em seguida, aparece cantando a segunda parte da música no telão. Momento em que lágrimas correram dos olhos de muitos fãs e o final apoteótico com o solo e duelo de guitarras levaram todos ao delírio.
Ao final do show, pudemos comprovar uma banda experiente, segura com seus 50 anos e muito bem ensaiada, demonstrando que cada um sabe exatamente o que fazer. Uma parede sólida formada pelas guitarras de Medlocke, Johnson e Matejka, onde cada uma se posicionava sem sobrepor a outra. Cada detalhe, cada dobra, cada entrelaçamento milimetricamente executado pelos músicos com maestria. A cozinha firme e coesa com a bateria de Cartellone e o baixo de Harrington. O piano de Keys reproduzindo fielmente as linhas criadas por Billy Powell. As backing vocals Chase e Michelle afinadíssimas e, claro, Van Zant sempre simpático e comunicativo. Foi uma noite de lavar a alma para os fãs do Lynyrd Skynyrd e do bom e velho rock’n’roll, além de duas bandas bem mais novas, mas preparadas o suficiente para conseguirem ganhar o público.
Nossos agradecimentos a todos os responsáveis por tornarem o evento possível e, em especial, para a Catto Comunicação e Mercury Concerts pela parceria, confiança e credibilidade dada mais uma vez à equipe do Universo do Rock.

Foto: Dantas Jr
Veja a galeria de fotos do show (Lynyrd Skynyrd/RJ):







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