Roxette volta ao Brasil após mais de uma década para entregar show eletrizante no Rio

Texto e Edição: Gustavo Franchini

Foto: Paty Sigiliano/@paty_sigilianophotos

Seguir em frente com respeito e abraçar o presente são formas diferentes de lidar positivamente com o grande impacto que o Roxette viveu e vive ao desejar manter viva a presença em palcos mundo afora após a perda de uma figura central da dupla, a cantora Marie Frediksson, no ano de 2019. Per Gessle, guitarrista e principal compositor, se reinventou como artista para celebrar uma carreira tão rica que conquistou fãs por mais de 40 anos; Assim surge a nova formação da banda para a turnê atual, que conta com a também sueca Lena Philipsson, já consagrada como personalidade em seu país, que não chega para substituir Marie, e sim honrar seu legado.

Quando um grupo possui uma discografia tão sólida e recheada de hits, fica difícil montar um repertório que agrade a todos os presentes, mas parece que Per Gessle conseguiu o que se mostrava uma tarefa hercúlea. Percorrendo em especial discos como Joyride (1991) e Look Sharp! (1988), além de Crash! Boom! Bang! (1994), Have a Nice Day (1999) e Tourism (1992), ou mesmo Charm School (2011), as canções executadas nesta turnê é um apanhado justo de tudo que representa o Roxette, desde os sucessos dos anos 80/90 até as mais modernas pós anos 2000 com sonoridade que flerta o pop rock com música eletrônica.

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Após uma longa espera desde a última apresentação em solo brasileiro, o show de estreia com a participação de Lena se deu no Rio de Janeiro na noite de domingo (12), na casa Vivo Rio, que contou com pessoas de todas as idades que lotaram todos os setores. E definitivamente valeu à pena cada minuto de ansiedade, pois o Roxette demonstrou que ainda possui força suficiente para continuar celebrando seu legado ao entregar um verdadeiro espetáculo e momentos eletrizantes para todos.

A abertura da trinca “The Big L.”, “Sleeping in My Car” e “Dressed for Success” já empolga logo de cara, na qual Per Gessle se torna o centro do palco, seja na iluminação, seja na condução de cada uma das músicas, tudo com muita simpatia e agradecimentos constantes aos que estavam ali presentes. O primeiro momento de êxtase com “Fading Like a Flower (Every Time You Leave)” precedeu uma grata surpresa com a versão acústica e coro de vozes em “Church of Your Heart”, tocada pela primeira vez desde 2012.

Vale ressaltar que o frontman trouxe um time de peso com músicos competentes e veteranos da indústria musical, que fizeram a diferença no peso e fidelidade necessários para enriquecer os quatro cantos da casa, muito bem ensaiados e, o mais importante de tudo, entrosados com sinergia. Somado à parte instrumental que foi impecável, Lena com seu carisma e voz poderosíssima, se mostrou uma escolha acertada, interpretando a linha vocal de Marie com maestria.

Claro que é impossível falar de Roxette sem mencionar as power ballads que embalaram corações por décadas e alcançaram o topo das paradas ao redor do globo, portanto as batidas de introdução da linda faixa “It Must Have Been Love”, que alcançou reconhecimento internacional como trilha sonora do filme blockbuster Pretty Woman, em meros segundos foram capazes de gerar berros de emoção dos fãs. Há canções que são obrigatórias no setlist de uma banda, e essa é uma delas. Para se ter uma noção da grandiosidade da mesma, o número de reproduções do videoclipe no YouTube chega a quase 1 bilhão!

O puro suco dos anos 80 é representado por “How Do You Do!” e “Dangerous”, antes da homenagem ao Brasil com uma versão improvisada do nosso hino nacional (que surpreendentemente teve a letra cantada pela maioria dos presentes), que mesmo não sendo perfeita em execução das notas, de fato é uma maneira dos músicos mostrarem reciprocidade com o carinho que sempre receberam dos brasileiros. Antes do bis, a empolgação máxima em “Joyride”, que poderia até ser o encerramento do show pela vibe que entrega em seus quase quatro minutos de energia pulsante, se não faltassem ainda três canções essenciais dos suecos.

Foto: Paty Sigiliano/@paty_sigilianophotos

Na volta, Lena pega o microfone e começa a cantar os primeiros versos de “Spending My Time” com Per ao violão, levando todos à loucura. Simplesmente toda a letra foi acompanhada em uníssono por todos, em um daqueles momentos mágicos e inesquecíveis para qualquer admirador da boa música. Aliás, algo que era possível observar durante as quase 2 horas de show é que a produção do telão ajudou a enriquecer toda a atmosfera de cada uma das canções, tendo uma iluminação que acrescentava nuances na transição entre passagens da estrutura harmônica.

E aí veio ela, claro, “Listen to Your Heart” com seu teclado característico, unindo os casais presentes, reforçando o amor, sorrisos, abraços, choros, vários sentimentos que afloraram na melodia tão cativante que fez e faz parte da vida de tantas pessoas. A cadenciada “The Look” veio na sequência gerando aplausos constantes e muita agitação, um dos melhores refrãos da banda. E, saindo um pouco da expectativa, o final veio com a sensacional “Queen of Rain” em clima emocionante, fechando com chave de ouro o show que já pode ser considerado um dos melhores do ano.

O futuro do Roxette é incerto, não se sabe se Per Gessle continuará fazendo turnês de celebração e/ou lançará novos álbuns com Lena Philipsson assumindo de vez os vocais como membro oficial, mas a certeza é de que tivemos mais uma vez a honra de presenciar o brilho de cada uma de suas eternas canções com autenticidade, sem forçar nostalgia ou marketing, apenas uma maravilhosa homenagem à todo o alicerce musical da dupla. Vida longa ao pop genuíno!

Nossos agradecimentos a todos os responsáveis por tornarem o evento possível e, em especial, para a Live Nation, Nobre Assessoria e Motisuki PR pela parceria, confiança e credibilidade dada mais uma vez à equipe do Universo do Rock.

Foto: Paty Sigiliano/@paty_sigilianophotos


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