Confira os lançamentos selecionados de setembro 2026 – Parte 2

Octohawk – Foto: Divulgação/ Reprodução Facebook Perfil Oficial

A coluna Lançamentos é uma seção na qual a curadoria da equipe selecionará através de critérios técnicos/artísticos diversas bandas e artistas que se destacaram com suas músicas, contemplando uma variedade de gêneros para todos os gostos. Vale ressaltar que algumas canções foram lançadas anteriormente, mas a análise foi feita este ano. Todas as faixas farão parte da nossa Playlist do Spotify. Confira agora as recomendações da segunda parte de setembro!


Octohawk: “Make It On The Crust” deságua em um metal progressivo moderno onde cada transição se encaixa com precisão cirúrgica. Sob uma aparente simplicidade, as linhas instrumentais dialogam com extrema fluidez, guiando o ouvinte por uma travessia rica, onde cada músico defende seu espaço com maestria e o canto injeta uma eletricidade contagiante. “Darkness Intrigues” preserva a identidade do gênero, mas dobra a aposta no balanço e na malemolência. O ritmo assume as rédeas da composição, impulsionado por ganchos gritantes e por uma atuação primorosa na bateria. É uma faixa que fisga pelas soluções melódicas engenhosas e cheias de frescor. “Samsara” empilha camadas sutis de ideias para bordar um mosaico de sentimentos intensos. Essa maleabilidade se reflete em interpretações vocais viscerais, que passeiam sem medo por texturas, técnicas e entonações distintas. Destaque desta edição!


Epic Nelson: “Just Around the Bend” é um prato cheio para o entusiasta inveterado de Rolling Stones em sua faceta mais telúrica e bluesera. Seus arranjos foram arquitetados para instigar o espasmo da dança e uma cinética contagiante, impulsionados por uma linha de baixo sinuosa e pelo esteio de uma guitarra granítica. Coroando a engrenagem, o trompete intervém para estofar e aveludar a quadratura musical. Em contrapartida, “Beach Fever” ruma em direção à efusão do hard rock oitentista. A faixa reluz em compassos febris e ostenta um refrão de apelo catártico, exalando um viço clássico que arrebata o ouvinte sem esforço. Recomendadíssimo!


Ship Says Om: “Mother Director” flutua como uma aquarela de som ambiente, quase puramente instrumental. Aqui, o canto se converte em um sopro colorido; uma brisa que entoa a belíssima melodia em perfeita comunhão com o dedilhar acolhedor do violão. O resultado é um instante de pura serenidade e equilíbrio. Logo após, “Water Prayer” nos submerge em correntes experimentais. A faixa desenha suas paisagens sonoras sobre um tapeçaria de ruídos calmantes, onde as teclas do piano preenchem o espaço com delicadeza. A percussão atua nas sombras, como um adorno quase imperceptível, enquanto o sussurro das vozes volta a ninar o ouvinte, abraçando notas que se estendem no tempo.


In Ad Hominem: “Ciudad Sin Dios” ergue-se como um tributo honroso ao heavy metal tradicional. Com sotaque e influências do thrash metal, a faixa caminha por progressões bem desenhadas e ostenta um peso impactante. O resgate de uma sonoridade mais direta e clássica, somado à escolha certeira de timbres, certamente ecoará como um abraço nostálgico no coração dos veteranos do gênero. Em seguida, “El Fin” equilibra-se na corda bamba que separa a imponência do power metal e a melancolia do doom metal. A música se espalha em uma sonoridade crua e harmonia eficiente, onde a linha vocal se encaixa com o punch necessário para guiar todo o arcabouço musical. Por fim, “Toda Mi Ira” desperta com uma frase de baixo simples e sedutora. Flertando entre o heavy e o power metal, a canção sustenta um ritmo cadenciado onde melodias fortes e coesas se entrelaçam em uma estrutura que produz o melhor da sonoridade dos anos 2000. Amparado por uma boa produção, a canção entrega um resultado final sólido e honesto. Vale a pena dar uma conferida!


Edik San – “The Poet’s Feather: Esta faixa engana o ouvido desatento e, à primeira vista, esconde sua origem artificial. Contudo, basta uma audição mais profunda para que suas costuras digitais se revelem. Longe de ser um defeito, isso apenas demonstra o capricho de sua edição, que soube preservar a alma e a organicidade da obra. Ainda que as guitarras carreguem timbres estranhos e a voz flutue sob camadas densas de efeitos, a flauta emerge com um brilho magnífico e natural. É um belo testemunho de como a tecnologia pode servir à composição, oferecendo um porto seguro e agradável para quem busca o abraço caloroso da mistura entre o pop/indie, a world music e o folk.


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